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Par√° registrou 23,6 mil casos de mal√°ria em 2023

Por Redação/Diário do Tapajós em 04/07/2024 às 18:54:47

Transmitida pela picada do mosquito-prego infectado pelo parasito do g√™nero Plasmodium e caracterizada por febre, calafrios, tremores, suor excessivo e dores de cabeça e no corpo, a mal√°ria persiste como um problema de saúde pública no Par√°. Entre 2018 e 2022, foi respons√°vel pela morte de 23 pessoas no estado. Apenas no ano passado, o estado registrou 23,6 mil casos dessa doença infecciosa, considerada pelas autoridades de saúde como uma doença socialmente determinada. Os dados são do Ministério da Saúde.

O médico veterin√°rio Armando da Silva Fayal, de 64 anos, mora em Belém (PA), mas contraiu mal√°ria durante um trabalho em campo, no município de Jacareacanga (PA), no sudoeste paraense. Na ocasião, ele estava coletando mosquitos numa √°rea onde h√° grande incid√™ncia da doença. Febre cíclica, que voltava sempre no fim da tarde, seguida de calafrios foram os primeiros sintomas, relata Fayal.

Por conhecer a doença, ele j√° desconfiou e procurou uma Unidade B√°sica de Saúde, para diagnóstico e tratamento. "Em menos de 24 horas, o resultado saiu e j√° comecei a me tratar", conta Fayal.

O veterin√°rio descreve o local onde se infectou. "[Jacareacanga] É um município que tem 80% da população indígena. Existe garimpo e é um lugar que não tem muito saneamento. Na cidade, passa um rio que não tem influ√™ncia de maré, são seis meses de cheia e seis meses de seca". O veterin√°rio foi infectado em dezembro de 2022, no início das cheias, mesmo período em que os criadouros do vetor começam a se formar.

As condições relatadas por Fayal contribuem para a perpetuação da doença. De acordo com o Ministério da Saúde, a mal√°ria é mais presente em √°reas rurais, assentamentos, terras indígenas e em regiões de garimpo. [veja infogr√°fico abaixo]



Mal√°ria: Programa Brasil Saud√°vel e as metas de eliminação

A mal√°ria é uma doença evit√°vel e, se tratada adequadamente, tem cura, segundo o Ministério da Saúde. Mas as condições sociais em que vive a população t√™m forte influ√™ncia na manutenção enquanto problema de saúde pública. Para combater a mal√°ria e outras 10 doenças e cinco infecções, em fevereiro o governo criou o programa Brasil Saud√°vel, que reúne 14 ministérios.

Sob coordenação do Ministério da Saúde, eles desenvolvem ações frente às populações e territórios priorit√°rios para acabar com a fome e a pobreza, promoção da proteção social e dos direitos humanos, capacitação de agentes sociais, estímulo à ci√™ncia, tecnologia e inovação e expansão de iniciativas em infraestrutura, saneamento e meio ambiente, além do diagnóstico e tratamento das doenças.

"A gente tem que atuar em v√°rias frentes. Assim se diminui a carga global da doença e, conjuntamente com isso, nós trabalhamos com a utilização de mosquiteiros, de inseticidas, na educação em saúde, repelentes, telas nas casas. Mas o mais importante é diagnosticar e tratar ", explica o coordenador de Eliminação da Mal√°ria do Ministério da Saúde, Alexander Vargas.
A meta do programa é eliminar a transmissão da doença até 2035 e zerar as mortes até 2030.

Mal√°ria: principais √°reas de transmissão no Par√°

O estado do Par√° ainda apresenta duas regiões, com características diferentes, que concentram os maiores números de casos. Uma é o Baixo Amazonas, com grande concentração de garimpo nos municípios de Jacareacanga e Itaituba. Quem explica é a coordenadora estadual de Controle da Mal√°ria, Paoola Vieira.

"A atividade garimpeira e a movimentação dos garimpeiros acaba aumentando os números da mal√°ria. Além da questão ambiental, j√° que a própria destruição do ambiente através da atividade de garimpo propicia o aumento dos casos nesses dois municípios", explica a coordenadora.

A segunda região é a do Marajó, onde a principal característica é serem municípios ribeirinhos com atividade de extrativismo. "O fato de essa comunidade adentrar a mata e morar dentro da floresta, propicia um aumento do número de casos", completa Paoola.

Para garantir o controle e reduzir a carga da doença, a Secretaria de Estado da Saúde do Par√° (Sespa) distribuiu 7,5 mil mosquiteiros impregnados com inseticida de longa duração, entre janeiro e março deste ano. Além disso, a Sespa distribuiu 249,4 mil comprimidos de medicamentos antimal√°ricos nos tr√™s primeiros meses de 2024 e 7,5 mil testes r√°pidos.

Mal√°ria: detecção e tratamento

Assim como em outras doenças, o tratamento da mal√°ria é mais efetivo quando iniciado rapidamente — para que o parasita seja eliminado o quanto antes da corrente sanguínea e evite complicações. Se feito da forma correta e no tempo adequado, o tratamento garante a cura da doença.

Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a recomendação da Organização Mundial da Saúde é que o tratamento seja feito com combinações terap√™uticas à base de artemisinina (ACTs) para o tratamento da mal√°ria falciparum. J√° as infecções pelo Plasmodium vivax devem ser tratadas com cloroquina. Nos dois casos o paciente recebe o tratamento em regime ambulatorial, com comprimidos que são fornecidos gratuitamente pelo SUS.

As unidades da Atenção Prim√°ria do SUS estão preparadas para tratar a mal√°ria. O diagnóstico pode ser realizado tanto por exame microscópico, conhecido como gota espessa ou por teste r√°pido com resultado em poucos minutos. "Para ambos os métodos de diagnóstico, basta apenas coletar uma gotinha de sangue, ele pode ser feito por um microscópio", complementa o gestor do Ministério da Saúde. Em √°reas mais afastadas e de difícil acesso — como terras indígenas — microscopistas, agentes de endemia, agentes comunit√°rios de saúde — estão treinados e aptos a fazer o diagnóstico rapidamente, assim como realizar o tratamento.

O mais moderno, simples e eficaz começou a ser usado este ano. O Brasil é pioneiro no uso do medicamento que pode contribuir decisivamente para a eliminação da mal√°ria em nosso país, como explica Vargas: "Estamos implementando uma droga nova e inovadora no Brasil chamada Tafenoquina. A vantagem é que ela é feita [administrada] num único dia — juntamente com a cloroquina, que vai ser feita durante tr√™s dias — e a Tafenoquina fica até 28 dias no organismo evitando recaídas e aumentando a adesão das pessoas ao tratamento da mal√°ria".

Em Belém, a unidade de refer√™ncia para o tratamento da mal√°ria é o Hospital da Santa Casa de Misericórdia do Par√°, Umarizal. O atendimento é feito todos os dias, 24 horas por dia.

Mal√°ria: prevenção

Existem formas individuais e coletivas de se proteger da doença e ajudar nas metas de eliminação, são elas:

uso de mosquiteiros e telas em portas e janelas;
roupas que protejam pernas e braços;
uso de repelentes;
borrifação Residual intradomiciliar;
drenagem e aterro de criadouros;
pequenas obras de saneamento para eliminação de criadouros do vetor;
limpeza das margens dos criadouros;
modificação do fluxo da √°gua;
controle da vegetação aqu√°tica;
melhoramento da moradia e das condições de trabalho.

Para mais informações sobre a mal√°ria e sobre o Programa Brasil Saud√°vel, acesse www.gov.br/saude. Voc√™ também pode ligar para o Disque Saúde 136. O serviço funciona 24 horas e a ligação é gratuita.

Fonte: Brasil 61

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